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Cultura, comida e cachoeira: primeiras impressões de Prudentópolis/ PR

  • Foto do escritor: Paula Pereira
    Paula Pereira
  • 6 de fev. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 2 de fev. de 2022

Sempre que viajo ao exterior, me surpreendo ao ver qualquer sinal de Brasil ou brasileiros lá fora. Fico imaginando as histórias que os levaram a terras distantes e que marcas eles tem deixado nesse novo endereço. Achei que essa era uma curiosidade natural. Então, quando ouvi dizer que no Brasil havia uma cidade que havia sido colonizada por ucranianos, eu soube que um dia eu deveria levar meu marido, ucraniano, até lá para conhecer.


Porém, entre as diferenças pessoais - minhas e de meu marido-, o que aguça nossa curiosidade é - e tem todo o direito de ser- diferente. Então, embora eu visse esta como uma ocasião rara; de conhecer como vivem hoje seus conterrâneos que vieram ao Brasil em 1896, para ele, o apelo da cidade à colonização ucraniana não foi o suficiente para realizarmos esta longa viagem de quase 8 horas. Prudentópolis bem podia então ser riscada da nossa lista de destinos futuros.


Mas, por sorte minha, ou quiçá nossa, Prudentópolis tem uma coisa que para meu marido é quase que “irresistível”: belas e longas cachoeiras... além de pratos típicos da Ucrânia, claro. Pois é, a cidade não é apenas a maior colônia de ucranianos fora da Ucrânia; como também é conhecida como a “Capital do mel”, a “Terra do feijão preto” e a “Terra das cachoeiras gigantes”. Aí sim. Marido convencido e viagem marcada. Uma semana em Prudentópolis.


E assim nós partimos; cheios de expectativas para visitar um lugar que promete unir o que há de melhor nos dois países: a diversidade da natureza brasileira entre as paisagens do agronegócio e a arquitetura, costumes e paladares ucranianos. Viagem quase perfeita... não fosse por alguns imprevistos dos quais tratarei em outra ocasião.


Legenda: Salto São João à esquerda , uma das quedas do Recanto Perehouski ao meio e à direita, o Salto Barão do Rio Branco.


Nesse período em que ficamos em Prudentópolis, mesmo com alguns dias de chuva, pudemos visitar alguns dos seus principais pontos turísticos:


* Museu do Milênio: museu que reúne centenas de itens que remontam a história da colonização ucraniana.;

* Recanto Perehouski: área particular de uma família onde existem algumas cachoeiras, trilhas e uma gruta fascinante feita de rochas sedimentares;

* Salto Barão do Rio Branco;

* Salto São João;

* Salto Sete;

* Igreja São Josafat: igreja católica, porém com cúpulas das igrejas ortodoxas e onde as missas e cantos são celebrados ainda em ucraniano;


Legenda: estrada para algumas cachoeiras à esquerda, quadro de um famoso poeta ucraniano ( Тарас Шевченко) ao centro e, à direita, a queda do Salto Sete.


Como é Prudentópolis

Prudentópolis é uma cidade pequena, com pouco mais de 50 mil habitantes e uma economia fortemente voltada ao setor agropecuário. Por onde se olha, vemos plantações de feijão, folha de fumo, milho, entre outras. Casas de madeira espalhadas pelos morros são bastante usuais. Lá, os terrenos são grandes e não faltam araucárias para adorná-los. A típica imagem do interior do Paraná.


Mas como será a área urbana do município?

Sergei e eu nos hospedamos em um hotel bem no centro da cidade. Visto que as pousadas ficam localizadas em áreas mais afastadas, concluímos que no Centro teríamos mais opções de cafeterias e restaurantes nas proximidades. Fato.

O que não esperávamos ver, no entanto, é um centro tão amplo! Com suas largas ruas e calçadas, poucos são os carros ou pedestres que trafegam por elas. Congestionamento?! Acho que o povo desta cidade nunca viu um por lá!


As residências, por sua vez, são tão espaçosas que os cachorros correm livres e felizes latindo à nossa passagem por quase meio quarteirão.

Prudentópolis é uma cidade de vida calma... sensação minha ou todos hão de concordar que a vida no interior é mais morosa e os dias mais longos?


Cenas do centro de Prudentópolis: ruas tranquilas e algumas casas enormes.


Sábado fim de tarde em Prudentópolis. Onde está todo mundo?

Chegamos num sábado à tarde em Prudentópolis e encontramos a cidade aparentemente vazia. Estranho. Pouquíssimos carros cruzando o horizonte e nem sombras de pessoas à vista. Onde está todo mundo? Caminhamos, caminhamos e ficamos só imaginando o que estariam fazendo naquele fim de tarde. Um barzinho reunia alguns poucos jovens e, numa igreja pequena, se via um casamento sendo celebrado. Algumas quadras mais adiante e .. voilà! Igreja lotada!! Achamos vida em Prudentópolis.


Igreja São Josafat
Igreja de São Josafat cheia!

Cidade onde a religiosidade permeia a vida dos cidadãos, a missa na igreja São Josafat estava em sua capacidade máxima; com pessoas se esgueirando para assistir a missa, pela porta, já do lado de fora.


Sergei e eu optamos por visitar a igreja em um dia mais tranquilo e, por isso, paramos em um barzinho e lá ficamos tomando uma cerveja gelada com linguiça acebolada. Não havia quase ninguém no local. Estranhamente, em um certo horário, o estabelecimento começou a fazer uma pequena fila na entrada. O que será que aconteceu? Será dia de show ao vivo? Carros surgiam um atrás de outro e estacionavam em volta do “Rancho do Sabor”. Ah… claro, aquilo só podia ser sinal de que a missa havia acabado. Hora de se reunir com os amigos e levar a família para comer um pastel!


Assim foi nosso primeiro dia em Prudentópolis! Logo mais conto sobre alguns dos passeios que realizamos por lá.

 
 
 

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